sexta-feira, 18 de junho de 2010

Valquírias Midiáticas


Livro mostra tragetória de sete jornalistas na defesa dos Direitos da Comunicação.

Enquanto a categoria se mobiliza pela obrigatoriedade do diploma, os jornalistas José Marques de Melo e Francisco de Assis lançam o livro "Valquirias Midiáticas" (Editora Arte e Ciência), com a luta de sete mulheres ícones na atuação acadêmica do jornalismo.

O livro mostra a trajetória de Adísia Sá, Anamaria Fadul, Cremilda Medina, Lucia Santaella, Maria Immaculada Vassallo de Lopes, Sonia Virgínia Moreira e Zélia Leal Adguirni. O título do livro, Valquírias Midiáticas, remete à primeira revista feminina do Brasil - Walkyrias -, lançada na década de 1930 pela jornalista-empresária Jenny Pimentel de Borba, época da Constituição de 1934, que garantiu o direito de voto à mulher e que a incentivava a tomar consciência de seu papel de cidadã.

Quem são as Valquírias Midiáticas?

Adísia Sá - cearense, foi primeira mulher a integrar uma redação de jornal, a Gazeta de Notícias, em 1955. Foi a primeira repórter policial feminina, primeira mulher sindicalizada no estado do Ceará e fundadora do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.

Anamaria Fadul - pesquisadora da comunicação no Brasil e América Latina, foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) de 1983 a 1985. Analista da qualidade das escolas de Comunicação e o papel da televisão na sociedade brasileira.

Cremilda Medina - portuguesa de nascimento, a jornalista foi uma das pioneiras no curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e teve destaca atuação na mídia paulista - Jornal da Tarde, Tv Bandeirantes, Tv Cultura - e na vida acadêmica na Universidade de S.Paulo.

Lucia Santaella - uma das principais referências nacional e internacional sobre estudos da Semiótica, com atuação de estudos em Tecnologia e Cibercultura pela PUC-SP, foi articulista de artes e literatura do Jornal da Tarde. Suas pesquisas de semiótica integram as tendências em artes tecnológicas.

Maria Immaculata Vassallo de Lopes - acadêmica da USP nos anos 60, estuda a influência das comunicações populares na vida comunitária. Foi presidente da Intercom, de 1995- 1997.

Sonia Virginia Moreira - formada pela Universidade Gama Filho (RJ), atuou na Rádio Jornal do Brasil durante a ditadura. É pesquisadora de comunicação em rádio. Autora do livro - Rádio Nacional- o Brasil em sintonia.

Zélia Leal Adghirni - acadêmica da Universidade de Brasília (UNB), destaca-se pelo estudo do papel do jornalista no contexto do século XXI. Atuou na imprensa marroquina nos anos 80 e trabalhou nas sucursais dos jornais Zero Hora e O Estado de S.Paulo nos anos 90.

Valquírias Midiáticas

Organizadores - José Marques de Melo e Francisco de Assis
335 páginas
Preço: R$ 64,00
Editora Arte e Ciência

Isabella Encantadora


A cantora e compositora Isabella Taviani traz para Brasília o repertório do CD “Meu coração não quer viver batendo devagar”, lançado em 2009. Serão duas apresentações, nos dias 18 e 19 de junho, sexta e sábado, às 21h, no Teatro Oi Brasília, pelo Projeto “Encantadoras”. "É maravilhoso retornar a Brasília participando de um projeto que já trouxe tanta artista bacana a esta terra! Com um nome deste, o projeto tinha que ser um sucesso!", enfatiza Isabella.

Sobre Isabella Tavianni

Quem conhece Isabella Taviani entende bem o nome de seu novo álbum. A cantora e compositora de sucessos como “Digitais”, “Luxúria” e “Diga sim pra mim”, gosta de emoções fortes e agora se arrisca em parcerias com amigos. “Meu coração não quer viver batendo devagar” tem 14 faixas, sendo que 13 levam sua assinatura, como o primeiro single “Presente-passado”. A única música que não é de sua autoria ou coautoria é “Sob medida”, de Chico Buarque, gravada por ela especialmente para a novela “Caminho das Índias” e que entrou neste CD como faixa bônus.

Produzido por Rodrigo Campello e Jr Tostoi (MiniStereo), o álbum é a base do repertório deste show. Além dos sucessos anteriores e o novo single, estão garantidas as músicas “Eu não moro na sua vida” (Isabella Taviani e Dudu Falcão), “Argumentos da vida” (dela com Jorge Vercillo), “Arranjo” (dela com Zélia Duncan) e “Depois da chuva” (Isabella, Jorge e Zélia).

Projeto Encantadoras

Reunir cantoras consagradas e abrir espaço para novos talentos, que ocupa parte da programação do Teatro Oi Brasília no primeiro semestre. Iniciado em 2009, Encantadoras já trouxe a Brasília Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Maria Gadú, Paula Tesser, Bruna Caram, Ana Costa, Ana Ratto.

Serviço: Isabella Taviani. 18 e 19 de junho, no teatro Oi Brasília (SHTN Trecho 1, conjunto 1B, bloco C, no Hotel Alvorada Tulip ). R$40 (meia). Classificação: 14 anos.

A cultura da cachaça

Eu estava vendo umas fotos de uma amiga que viajou por Minas Gerais e encontrei uma imagem muito explicativa. Como estamos no Buteco Cultural, acho que esta sabedoria tem extrema relevância para nosso papo. Compartilhemos:




terça-feira, 15 de junho de 2010

A verdade sobre o divino


Depois de pouco mais de uma hora de apresentação ao lado da banda Pandemonium, Seguei, ícone do rock'n'roll desde os anos 60, mostrou à Brasília que é o seu estilo louco, mítico e despojado que o mantém como o Divino do Rock. Não era preciso estar suficiente bêbado, como eu, para entender isso. Serguei não canta como antes.

A apresentação aconteceu pouco depois das 1h da manhã, no dia 11 de junho, na nova casa de shows América Rock Club, em Taguatinga. Aos 76 anos, as mesmas roupas e os mesmos cabelos bagunçados, o divino se recusou a receber alguns fãs para fotos e autógrafos. Alguns comentavam com tristeza, outros nem notaram.

Custei um pouco para conseguir ouvir a voz de Serguei. Somente na terceira música ele mesmo notou que seu microfone estava praticamente desligado. Sua voz era frequentemente ofuscada por André Ribeiro, vocalista da banda Pandemonium. Apesar dos pesares, ele não parava no lugar. Corria de um lado pra outro e, tenho que confessar, seu jeito desengonçado é encantador.

A apresentação foi satisfatória. Todos queriam deixar o rock rolar. E ele rolou.

domingo, 13 de junho de 2010

Já ouvi, posso morrer III

Fazer uma lista dos 10 mais de nossa carga musical é uma tarefa árdua. Os hits de nossas vidas estão aqui, ali, acolá... Juntar os pedaços como um quebra-cabeça imenso. Desde que nosso querido Felipe iniciou a sessão, venho pensando nas possibilidades que geram outras e outras tantas. Minha lista não é da mais eclética. Na verdade, o ecletismo me causa uma certa urticária. Por isso, vamos falar do velho rock'n'roll.

10 The Police - Outlandos d'Amour (1978)

Este é o álbum de estréia da banda. E, como podemos perceber, Sting nasceu para ser rebelde. Sua vontade de polemizar o fez escrever Roxxane, a história de uma prostituta: "Roxanne, você não tem que se despir sob as luzes vermelhas". Apesar da polêmica, Outlandos d'Amour é um álbum animado acima de tudo. Vale a pena conferir.


9 Legião Urbana - Uma Outra Estação (1997)
Este álbum de tão triste virou póstumo. Foi lançado um ano depois da morte do líder da Legião Urbana, Renato Russo. De todos os amores que tive, Renato foi o mais intenso. Digo por ser amor de infância. De tanto amor fiz, muitas vezes, de suas dores as minhas. Uma Outra Estação mostra que, da voz cansada da morte, muitas dores podem se tornar poesias eternas.


8 Kiss - Kiss (1974)

Mais um álbum de estréia de banda. Nada me tira da cabeça que o bom é o inovador. O Kiss apareceu de cara pintada e salto alto. Gene é um grande líder, mas a melhor voz é, sem dúvidas, de Paul. E é dele também a autoria das melhores músicas desse álbum, como Firehouse e Black Diamond.


7 Megadeth - So Far, So Good... So What? (1987)

Dave Mustaine foi expulso, sem explicação, de uma curta temporada como guitarrista do Metallica. Surgiu então com sua nova banda: o Megadeth. Com um vocal extremamente particular, chegou firme pela disputa de um espaço nos anos de ouro do Thrash Metal. So Far, So Good... So What? é o terceiro e mais sonoro disco da banda. Conta com um cover dos Sex Pistols e uma bela homenagem para Cliff Burton (morto em 1986) com a canção In My Darkest Hour.

6 Iron Maiden - Poweslave (1984)

Steve Harris e Bruce Dickinson fizeram um trabalho marcante e excepcional para o Heavy Metal mundial. O baixista e o vocalista do Iron Maiden souberam bem como unir técnica a uma boa história. Tenho que fazer considerações especiais para duas músicas: Powerslave, que dá nome ao álbum; e Rimme of the Ancient Mariner. Ouvi ambas as canções ao vivo por duas vezes e ainda sinto arrepio só de lembrar.


5 Morbid Angel - Altars of Madness (1989)

Outro álbum de estréia na minha lista dos melhores. Agressividade, força e muita loucura. Poucos dias depois que nasci, o Morbid Angel lançava essa preciosidade do Death Metal. Sujo e blasfemo, do jeito que o estilo tem que ser. Ótimos riffs de guitarra e um vocal arrasador.



4 Pink Floyd - PULSE (1995)

A escolha desse álbum para a minha lista se dá por um único motivo: a impossibilidade de escolher o melhor álbum do Pink Floyd. Já que me meti num labirinto onde todas as entradas te levam para um paraíso, decidi que o PULSE merece essa posição. Se não há como decidir o melhor, ponha todos os bons em um só. O destaque fica com a encatadora voz de David Gilmour.


3 The Clash - London Calling (1979)

Falo de Punk, penso logo em London Calling. Nada dos anos 70 supera esse disco. A criatividade e a aposta na missigenação de estilos, dentro do rock'n'roll, deixou uma marca irreversível no meu coração. O London Calling é simplesmente o suprassumo do Punk Rock sem a mínima dúvida.

2 Misfits - Walk Among Us (1982)
Depois de descobrir que o bom Punk é aquele com influências reais, pude entender também que Punk perfeito é feito com horror. A bizarrice que cerca a banda Misfits define perfeitamente a quem a banda veio falar. Glenn Danzig apostou em uma nova proposta, agradeço por isso. Para Walk Among Us, só posso fizer uma frase: Mommy, can I go out and kill tonight?


1 Dio - Holy Diver (1983)
Obrigada, Dio.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Deixem Ela Entrar



Let the right one in
Let the old dreams die
Let the wrong ones go
They cannot
They cannot
They cannot do what you want them to do


Morrissey, Let The right One Slip In.

Apesar de ser muito medrosa com filmes de suspense/terror eu resolvi arriscar e assistir Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in) quando o vi na capa do Cineplayers. A sinopse não é uma das mais atraentes - histórias de amor com vampiros já foram exploradas demais – bom, isso era o que eu pensava.

O filme sueco - já começa por aí - não é qualquer romance adolescente, ele trata de assuntos sérios. O suspense conta à história de Eli, uma garota de 12 anos, branca, de cabelos longos e escuros, e vampira. A menina se muda para o prédio ao lado de Oskar, um menino da mesma idade, que sofre com constantes assédios - físicos e morais de seus colegas de escola.Eli e Oskar apesar de serem somente crianças, são personagens responsáveis pela parte mais humana da história.


Eli é representada como uma figura romântica, assim como a maioria dos vampiros, e também de forte personalidade. A garota ajuda Oskar a enfrentar seus medos e nunca esconde dele o que é de verdade. O menino que sofre com a exclusão na sua escola é frágil e demora para entender o que se passa com sua “namorada” mas cede e se entrega ao quu sente por ela.

Mesmo lidando com temas sérios, como a morte, vista de perto já que Eli precisa se alimentar e isso desencadeia em uma série de assassinatos na cidade, a obra consegue passar muito mais que tensão. Com um ritmo lento, mas nada cansativo, o filme é cheio de cenários únicos, sombrios e com cores frias, mas belos ao mesmo tempo, eles só perdem a sobriedade nas cenas mescladas de sangue - que ao surgir na tela se destaca de todo os outros elementos.

Deixa Ela Entrar é baseado no livro do John Ajvide Lindqvist, que também assina o roteiro. Uma curiosidade se deve ao nome do filme, que ganhou esse batismo graças a um dos trechos da música favorita do autor: Let The right One Slip In, de Morrissey, que diz: “Eu diria que você tem todo o direito de dar uma mordidinha na pessoa certa e dizer. O que fez com que você demorasse tanto?"

Muito mais do que uma história de amor adolescente, ou um filme clássico de vampiros, Deixa Ela Entrar é uma obra-prima que trata da solidão e do companherismo de maneira esplêndida. O amor e carinho que existe entre os dois garotos mostram que para enfrentar alguns desafios na vida é possível ter ajuda, e que não há nada errado nisso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Já ouvi, posso morrer II

Parece, mas não é uma tarefa fácil. Primeiro vem uma pré-lista, um pré-ranking. “Opa, faltou esse. Tira aquele.” Quase um mês depois, aí está mais uma lista de álbuns obrigatórios. Eclética? Sim. Bandas, duplas, grandes encontros que mudaram a história da música – mundial e brasileira.


10 Gotan Project – La Revancha Del Tango (2001)

Somente a mistura entre um francês, um argentino e um suíço seria capaz de dar origem a um trabalho inovador como esse. La Revancha Del Tango é a materialização do experimentalismo do trio cosmopolita que toca tango com arranjos eletrônicos. Disco irresistível para as horas vagas do dia.

9 The B-52s – Time Capsule (1998)

Sou contra coletâneas, mas esta não poderia faltar. Os B-52s existem desde 1976 e Time Capsule reúne o que a banda de visual psicodélico e futurista fez de melhor ao longo de todos esses anos. Além das clássicas Private Idaho e Love Shack, o disco tem músicas irreverentes com letras impagáveis como Strobe Light e Legal Tender.

8 Limp Bizkit – Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000)

Um adolescente compra um disco de músicas pesadas com o aviso “Contém Letras Explícitas” e pensa: “sou diferente de todos”. Com o passar dos anos, aquilo parece pouco em meio a toda a produção musical mundial. Mesmo assim, Chocolate Starfish fica na memória. Desde as melancólicas, como It’ll be Ok, às mais ácidas, como Livin’ it Up.

7 Nirvana – Nevermind (1991)

O grunge não seria a mesma coisa sem Nevermind. Todos sabem disso. E é por isso que o disco faz parte do TOP 10 de muita gente pelo mundo afora. Sem mais comentários e sem menosprezar as demais faixas, registro aqui as preferidas: Smells Like Teen Spirit (óbvio), In Bloom, Lithium e Polly.

6 Secos e Molhados – Secos e Molhados (1973)

É do Brasil ditatorial que surgiram os trabalhos mais fascinantes. Nesse cenário, o compositor João Ricardo juntou-se a Ney Matogrosso e Gerson Conrad. Pintaram os rostos, vestiram roupas extravagantes e decidiram rebolar para o país. Por detrás do gingado, a coragem de criticar o regime militar em músicas como Assim Assado e Primavera nos Dentes.

5 Franz Ferdinand – Franz Ferdinand (2004)

Alternativo, oitentista e geek. Assim pode ser definido o trabalho do Franz Ferdinand. A banda é formada por escoceses de Glasgow que, neste álbum, vão do indie ao pop. Destaque para: The Dark of the Matinee e This Fire. Vale lembrar que Take me Out já consta como uma das músicas mais populares da primeira década dos anos 2000.

4 Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede – Vagabundo (2004)

A arte de Ney encontra a criatividade de Pedro Luís e resulta em Vagabundo. Sofisticado, o disco é um culto à música brasileira de qualidade. Letras engajadas (Seres Tupy e O Mundo), faixas cômicas (Napoleão), versos poéticos (Noite Severina) e regravações históricas (A Ordem é Samba e Transpiração). Seleção imperdível e para todos os gostos.

3 Daft Punk – Discovery (2001)

Em tempos áureos das chamadas festas rave, não esqueçamos a verdadeira música eletrônica de artistas como Daft Punk. A dupla de franceses mascarados fez um trabalho de peso, que inclui ícones como One More Time, Digital Love e Harder, better, faster, stronger. As faixas de Discovery deram origem também ao longa Interstella 5555, baseado em animações japonesas.

2 Os Mutantes – Tecnicolor (1999)

No auge do sucesso, em 1970, Rita Lee e os Mutantes gravaram Tecnicolor, em Paris. O projeto saiu da gaveta somente em 1999, quando a gravadora Universal decidiu lançá-lo. Vieram à tona versões em inglês de músicas já conhecidas, como Panis et Circenses e Baby. Há espaço ainda para a balada progressiva I’m Sorry Baby, para as brasileiríssimas Adeus, Maria Fulô e She's My Shoo Shoo (A Minha Menina) e para a psicodélica Bat Macumba.

1 Green Day – Dookie (1994)

Quando lançaram Dookie, os californianos do Green Day eram a aposta do punk rock. Quem acreditou estava certo. As faixas deste álbum viraram verdadeiros hinos para adolescentes revoltados dos anos 90. Músicas sobre masturbação e falta do que fazer (Longview e Basket Case), dor de cotovelo (When I Come Around), entre outros assuntos e um bônus com All By Myself em uma versão amadora. Disco agressivo, marcante, inesperado e obrigatório.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Já ouvi, posso morrer

O post da vez é pra abrir a série 10 álbuns que já ouvi, posso morrer (rs)*, na qual TODOS os editores do buteco cultural deverão contribuir - na verdade, nem todos foram consultados e o nome dado a isso foi meu, mas acredito que vai variar em cada listinha.

Tudo começou num dia random dessa semana, quando eu, a Glaucia, o Lucas e a Vilhena estávamos conversando sobre nossos gostos musicais no horário (chuvoso) de almoço. Então tivemos a (nada original) idéia** de postarmos aqui listas comentadas dos álbuns que mais marcaram nossas vidas (snif).

Como os três ficaram com preguiça de iniciar a miséria, já que isso implicaria em também estabelecer um padrão para os posts, fui obrigado - sob a ameaça de ter cigarros apagados na minha cabeça - a ser o primeiro.

E COMO foi difícil apontar apenas 10 álbuns, gente! Foi difícil, foi injusto, mas foi bem legal.

A seguir, os discos mais importantes da minha vida (pelo menos até ontem, quando achei um tempinho pra elaborar o negócio):


10 John Coltrane - A Love Supreme (1965)

Talvez o trabalho mais cultuado do deus John Coltrane. E, certamente, não é para menos. São quatro faixas de uma das gravações mais importantes da história do jazz (leia-se: música). Acknowledgement, Resolution, Pursuance, Psalm. Pura elegância e magnificência.

9 Sigur Rós - Ágætis byrjun (1999)

De início, não precisei nem ao menos entender o significado das letras, porque o ambiente proporcionado por instrumentos e vozes já parece dizer tudo. Som atmosférico, etéreo, feito para elevar a alma. Um trabalho delicado, doce e confortante. Mágico, para resumir. Starálfur é um encanto.

8 Miles Davis - Seven Steps to Heaven (1963)

Eu poderia colocar o Kind of Blue aqui, mas o trabalho do Miles desta posição foi o que me fez realmente gostar do jazz nunca enfadonho e sempre criativo desse trompetista genial (e essencial). O instrumental de I Fall In Love Too Easily (cuja interpretação de Chet Baker é absurdamente linda e sentimental, uma das minhas coisas favoritas dentro do jazz), a faixa mais cool do disco, é divino.

7 Sylvia Telles, Lúcio Alves & Roberto Menescal - Bossa Session (1964)

Ouço sempre com um sorriso largo no rosto. O que vou dizer vai parecer ridículo, mas esse é o álbum mais alegre e divertido que os meus ouvidos já tiveram o prazer de apreciar. A must, mesmo para quem não gosta de bossa nova.

6 Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain (1994)

O álbum aqui colocado em sexto é um lo-fi impecável, embalado pela voz inconfundível de Stephen Malkmus (no meu ranking mental de melhores vozes masculinas de rock, só fica atrás de Jeff Buckley), e ainda um marco na cena indie dos anos 90. Aliás, um marco não, o marco, o melhor álbum indie da última década. Elevate Me Later e Gold Soundz não saem nunca mais da minha cabeça. Fillmore Jive, Newark Wilder e Range Life são composições primorosas.

5 Astrud Gilberto - The Astrud Gilberto Album (1964)

A minha iniciação na bossa nova se deu pela voz da Astrud Gilberto. Ela não teve (tem) o vigor de Elis Regina e Nara Leão, ou a delicadeza de Sylvinha Telles (e olha que a Astrud é sensível, viu...), mas é dona da voz feminina que mais me encanta. Nunca vou me esquecer da sensação maravilhosa que tive quando da primeira audição da faixa inicial, Once I Loved. Tive uma súbita certeza de que o restante do álbum seria de uma leveza, de uma singeleza que me marcariam para sempre.

4 Radiohead - Ok Computer (1997)

Foi aqui que eu conheci a minha banda favorita. À primeira audição, desconforto. Após umas dez, a constatação (clichê, quase todos os reviews já disseram, dizem e vão dizer isso, mas aí vai, em palavras minhas): um dos cinco, dez melhores álbuns de rock da história. Let Down, talvez, a canção da minha vida (arrepiei). E Climbing Up the Walls (meu tema stalker, hehe), a mais visceral, sinistra e belamente sombria que já ouvi. A inventividade do Radiohead aqui é algo magistral.

3 Bob Dylan - Blood on the Tracks (1975)

Talvez não seja, melodicamente falando, o melhor trabalho do Dylan. Mas é um vindo da alma de um dos maiores poetas musicais vivos. ALERTA: Simple Twist of Fate, Shelter from the Storm e You're Gonna Make Me Lonesome When You Go podem levar você às lágrimas. Apaixonante.

2 John Coltrane - Coltrane Live at Birdland (1964)

Basta dizer que Afro Blue, Alabama e I Want to Talk About You são as músicas instrumentais de jazz da minha vida, sem exageros. A última faixa citada é arrepiante. E vivo cantarolando loucamente trechos desse álbum por aí. Coltrane foi (é) o maior.

1 Radiohead - The Bends (1995)

Enérgico, melancólico, vibrante. O álbum que reúne tudo aquilo que o Radiohead tem de melhor, num equilíbrio lírico e musical que inexiste em qualquer outro trabalho da banda de rock mais importante dos últimos 20 anos. Amo cada faixa do disco, até mesmo (Nice Dream) e Sulk, underrated ao extremo.


*Quem quiser (noobs) fazer download (ilegal, claro) dos discos deve pedir via comentário.
**Só pra deixar registrado que eu NÃO aderi ao Acordo Ortotrágico.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um filme-verdade sobre a fossa

A melhor distribuidora de filmes indie do momento, a Fox Searchlight (para citar alguns que aprecio: Apenas uma vez, Pequena Miss Sunshine, Quem quer ser um milionário? e Terra de sonhos), entrega mais um exemplar irresistível.

É (500) Dias com ela ((500) Days of Summer) - apresentado recentemente aos brasileiros-cariocas no Festival do Rio -, um dramedy construído à maneira de Amnésia, no qual um sujeito mezzo cool, mezzo loser, Tom Hansen, se apaixona por uma cativante jovem de enormes olhos azuis, Summer Finn. E ela - que não acredita em amor, paixão, alma gêmea e todas essas coisas - não.

A princípio, a simplicidade da história, que não traz nada de muito original às comédias dramáticas ditas indie, pode enganar os desavisados - ou seja, aqueles que nem ao menos se deram ao trabalho de assistir ao trailer. O roteiro bem amarrado e criativo da dupla Scott Nustadter/Michael H. Weber se utiliza de uma narrativa não linear, na qual os eventos envolvendo o casal Tom/Summer são mostrados de forma desorganizada, deliciosamente desorganizada. Os 500 dias de amor, desamor, carícias e brigas aparecem na tela sem compromisso com a ordem cronológica dos fatos. Tal dinamismo também é visto no direção das cenas, costuradas pelo novato diretor Marc Webb. O ritmo musical do filme não é à toa. Webb vem da escola de videoclipes.

O visual vívido, enérgico concebido pela diretora de arte, Laura Fox, também é protagonista num filme em que os dois atores principais, Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, estão em absoluto estado de graça. A cena do elevador, em que ambos confidenciam o gosto por The Smiths (foto: Divulgação), o amasso na sala de xerox, a sequência musical em que Tom, um graduado em arquitetura mas escritor de cartões, vai para o trabalho com um enorme sorriso no rosto depois da primeira noite com Summer (esqueci de dizer, ela é assistente do chefe de Tom)... Enfim, são cenas e mais cenas com atuações honestas e sinceras, que servem à uma história cheia de sensibilidade - em contrapartida, o elenco de apoio é fraquíssimo, coisa rara em dramedies.

No fim, (500) diz o que poucos romances, sejam eles indies ou não, ousam dizer: nem sempre é possível amar e ser amado, e a vida deve continuar.

E o filme explicita isso com tanto charme, clareza e energia que saí dele parcialmente destruído, parcialmente esperançoso.

domingo, 4 de outubro de 2009

Profecia do fim do mundo


Marlon Maciel
Especial para o Jornal de Brasília


A distorção das guitarras da faixa Noche De Los Muertos abre o álbum dos argentinos em clima apocalíptico de um filme de horror B, com zumbis a vagar entre ruas e carros destroçados de uma cidade-inferno. Apesar do panorama caótico, uma calmaria rock'n'roll pós-tempestade (Día De Los Muertos) permite a presença de uma pegada pop com vocais melódicos ensolarados (El Último Sereno). Em um dos melhores momentos do disco, a segunda faixa, El Día Del Huracán, oferece a trilha sonora para a cena do fim do mundo. "Viajando pelo céu azul, esperando o armageddon, você e eu / Contando que sabemos aos que morrerão / Seu cabelo ruivo flutua ao vento do tufão que tudo destruirá esta noite", fataliza a letra. O tema aqui é a morte, que finaliza a trilogia que explorou o nascimento (Navidad de Reserva, 2005) e a vida (Un Millón de Euros, 2006). Uma cruel profecia do fim de tudo? Existe luz antes dos créditos ao final do filme.

Serviço – Día De Los Muertos (2008); El Mató A Un Policía Motorizado; Faixas: 7; Gravadora: Laptra; Importado; Quanto: R$ 25, em média

PS.: Fãs de Mutantes e Legião Urbana, os hermanos do El Mató A Un Policía Motorizado, cujo nome foi inspirado numa fita de terror, integrou o duo de headliners internacionais da última edição do Porão do Rock junto com os americanos do Eagles of Death Metal.