terça-feira, 27 de julho de 2010

Da penumbra para a luz

Com direção do espanhol Borja Ruiz, grupo Kabia apresenta em Brasília dois espetáculos criados sob a sombra da companhia Gaitzerdi Teatro

Cena de “Dizer chuva e que chova”, obra inspirada no imaginário poético do escritor basco Joseba Sarrionaindia (foto: Borja Relaño)

Investigar novas linguagens cênicas é um dos papéis que a companhia espanhola Kabia deve à escola Teatro-Estúdio do mestre russo Constantin Stanislavski (1863-1938), criador do que talvez seja o primeiro laboratório teatral da história, em 1905. Na época, para fazer frente a um aplaudido – porém fossilizado – teatro que tinha como base o naturalismo, Stanislavski fundou uma extensão experimental de seu famoso Teatro de Arte de Moscou. Apesar do fiasco da experiência diante dos espetáculos bem sucedidos da companhia principal (os testes sequer foram apresentados), lançava-se uma das principais características da investigação teatral do século 20: as escolas secundárias como abrigo para trabalhos alternativos ao teatro comercial.

Na penumbra do sucesso da companhia Gaitzerdi Teatro, os atores do Kabia - Espaço de Investigação Dramática, formado em 2006, encontrariam no projeto secundário a intimidade necessária para que criassem suas obras livremente, sem que tivessem a sensação de serem observados ou julgados. É o resultado da ideia de “sombra”, como abrigo para a criação, que o grupo de Bilbao mostra, a partir de 25 de agosto, na programação do Cena Contemporânea 2010 - Festival Internacional de Teatro de Brasília.

Braço experimental da Gaitzerdi – companhia principal dirigida por Kepa Ibarra, criada em 1988 –, o Kabia tem apostado no teatro como resultado da incursão por ambientes em que a experimentação é permitida e levada às últimas consequências. Sem a intenção de emular os grandes artistas, os atores são estimulados a indagar e reeducar-se na arte do teatro. Uma das linhas de atuação propostas pelo espaço, por exemplo, é o constante treinamento do ator, que explora diferentes matérias e linguagens (como acrobacia, clown, biomecânica, antropologia teatral, balé e até canto coral) para ampliar suas capacidades corporais, vocais e mentais.

O grupo espanhol que leva o teatro experimental às últimas consequências em cena de “Dizer chuva e que chova” (foto de Susana Elejalde)

Linguagem experimental
O grupo chega ao país com dois espetáculos dirigidos pelo jovem encenador vanguardista Borja Ruiz, primeiro a receber o Prêmio Internacional Artez Blai de Investigação sobre as Artes Cênicas pelo estudo “A arte do ator no século 20 – Uma viagem teórica e prática pelas vanguardas” (2008), em que compila e compara as teorias da arte da atuação. Ruiz, que também tem no currículo trabalhos como ator para a Gaitzerdi desde 2005 (entre eles o premiado “Otsoko”, de 2008), assina “Dizer chuva e que chova” (2010), obra com livre inspiração no imaginário poético do escritor basco Joseba Sarrionaindia, também conhecido como Sarri. No elenco, Juana Lor, Iosu Florentino, Ane Pikaza, Joseba Uribarri, Karol Benito e Yolanda Bustillo.

Responsável por projetar o nome da companhia que tem renovado a cena teatral com sua linguagem experimental, o espetáculo de estreia do grupo espanhol é outro dos grandes destaques da programação do Cena Contemporânea 2010. Com a intérprete Juana Lor, “Paisagem com Argonautas” tem inspiração num poema do pensador alemão Walter Benjamin, feito a partir de um quadro de Paul Klee, em que um anjo pego pelo vento não pode voltar atrás para desfazer as atrocidades cometidas no mundo. Na peça, o infortunado anjo protagoniza texto homônimo do dramaturgo alemão Heiner Müller sobre os argonautas, lendários heróis gregos que viajaram na mitológica nau Argo em busca do velocino de ouro.

Serviço

Cena Contemporânea 2010 — Festival Internacional de Teatro de Brasília
De 24 de agosto a 5 de setembro, na Praça do Museu Nacional da República e em vários teatros no DF. “Paisagem com Argonautas”: dias 25 e 26 de agosto, às 19h, no Teatro Garagem. “Dizer chuva e que chova”: dias 27 e 28 de agosto, às 21h, e dia 29 de agosto, às 20h, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional. Ingressos: R$ 16 e R$ 8 (meia). Informações: 3349-3937. Não recomendado para menores de 14 anos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fotografando o espetáculo

Fotos: Fred Cintra. Cenas de A obscena Sra. D / Cena Contemporânea 2009

O Espaço f/508 de Fotografia, em parceria com o Cena Contemporânea 2010 – Festival Internacional de Teatro de Brasília, promoverá a partir do dia 02 de agosto o Curso de Fotografia de Espetáculos. Os alunos terão acesso à programação do festival, que servirá como plataforma para as aulas práticas. O curso destina-se a fotógrafos e interessados de modo geral que tenham interesse na cobertura de peças de teatro, dança, circo e shows.

Esta parceria propiciará ao aluno a experiência direta e a possibilidade de formação de portfólio, dificuldades recorrentes para quem quer se dedicar a esse segmento da fotografia.

Em 2010, o Cena Contemporânea chega à sua décima primeira edição, com uma programação diversificada, que inclui espetáculos nacionais e internacionais, oficinas, seminários, projeções, festas e grandes shows ao ar livre.

Pré-requisito:
Os pré-requisitos visam ao melhor aproveitamento dos participantes. Para participar é necessário ter domínio de fotometria e possuir equipamento DSLR, além de teleobjetiva zoom (aconselhável no mínimo 70-200mm).

Horário:
Aula teórica - Segunda: 19h às 20h30
Aula prática – Festival Cena Contemporânea

Duração: 02 de agosto a 20 de setembro
Total de aulas teóricas: 08
Carga horária: 12h/aula

Período de matrículas: até 26 de julho
Professor
Humberto Lemos. Fotógrafo há mais de 25 anos, atuou no mercado de fotografia publicitária e de shows do Rio de Janeiro, atendendo a grandes clientes como White Martins, Shell, Coca-cola, Souza Cruz, Bradesco Seguros e junto às maiores gravadoras do Rio. Foi fotógrafo exclusivo do Free Jazz Festival para a Souza Cruz (Rio e São Paulo). Cobriu shows de importantes músicos, como: Sonny Rolins, Chet Baker, Pat Metheny, Bob McFerrin, Chick Corea Electric Band, Take 6, Nina Simone, Sarah Vaughan, Grover Washignton Jr., Stanley Jordan, Miles Davis, David Sanborn, Spyro Gyra, Art Blakey, Yellow Jackets, John Mayall, John Lee Hooker, George Benson, Ray Charles, Wynton e Branford Marsalis, entre vários outros.

Programa:
.Diferentes posturas para espetáculos de dança, teatro e shows;
.Equipamentos utilizados;
.Análise da iluminação do espetáculo;
.Balanço do branco (temperatura de cor), auto-foco/foco manual, escolha da velocidade do obturador, abertura do diafragma, ISO, “puxadas”;
.Seqüência de imagens;
.Momento do clique;
.Bastidores, ensaios e cena;
.Fotos de bandas/grupos;
.Análise das fotos produzidas.

Certificado.

Investimento: R$ 500,00
Valor com desconto para pagamento à vista: R$ 400,00 (em dinheiro ou cheque)

Dúvidas freqüentes

Como os alunos terão acesso aos espetáculos?
O Cena Contemporânea irá liberar convites para os espetáculos, conforme seleção da equipe, os quais serão distribuídos pelo f/508 aos alunos, de forma que cada um possa cobrir o mínimo de 03 eventos. Dada a complexidade do trabalho e em respeito aos espetáculos, serão selecionados 02 alunos por evento, a serem estipulados pelo f/508.

O acesso será gratuito?
O acesso já está incluso no valor do curso.

Há alguma regra sobre a divulgação das imagens?
O Cena Contemporânea poderá fazer uso das imagens, desde que exclusivamente vinculado à divulgação do festival e com os devidos créditos atribuídos ao autor. Os alunos poderão utilizar o material produzido em suas páginas pessoais, sem restrições, reforçando um dos objetivos do curso que é possibilitar aos participantes a formação de portfólio.

As aulas serão todas às segundas?
As aulas teóricas serão sempre às segundas e as práticas, distribuídas ao longo da semana no festival.

Cronograma
02/08: Aula teórica - show
09/08: Aula teórica - teatro
16/08 : Aula teórica – dança
23/08: Orientação e sorteio dos espetáculos
24 a 29/08: Prática no Cena Contemporânea
30/08: Aula teórica/ análise do material produzido
31/08 a 05/09: Prática no Cena Contemporânea
06/09: Aula teórica/ análise do material produzido
11/09 (sábado): Prática – Foto de divulgação de banda/grupo – locação externa
13/09: Aula final/ Apresentação de Portfólio

Mais informações:
Tels.: 61. 3347 3985 / 8414 8926
e-mail: fotoclubef508@gmail.com

(Fonte: Fotoclube f/508: http://www.fotoclubef508.com)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Valquírias Midiáticas


Livro mostra tragetória de sete jornalistas na defesa dos Direitos da Comunicação.

Enquanto a categoria se mobiliza pela obrigatoriedade do diploma, os jornalistas José Marques de Melo e Francisco de Assis lançam o livro "Valquirias Midiáticas" (Editora Arte e Ciência), com a luta de sete mulheres ícones na atuação acadêmica do jornalismo.

O livro mostra a trajetória de Adísia Sá, Anamaria Fadul, Cremilda Medina, Lucia Santaella, Maria Immaculada Vassallo de Lopes, Sonia Virgínia Moreira e Zélia Leal Adguirni. O título do livro, Valquírias Midiáticas, remete à primeira revista feminina do Brasil - Walkyrias -, lançada na década de 1930 pela jornalista-empresária Jenny Pimentel de Borba, época da Constituição de 1934, que garantiu o direito de voto à mulher e que a incentivava a tomar consciência de seu papel de cidadã.

Quem são as Valquírias Midiáticas?

Adísia Sá - cearense, foi primeira mulher a integrar uma redação de jornal, a Gazeta de Notícias, em 1955. Foi a primeira repórter policial feminina, primeira mulher sindicalizada no estado do Ceará e fundadora do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.

Anamaria Fadul - pesquisadora da comunicação no Brasil e América Latina, foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) de 1983 a 1985. Analista da qualidade das escolas de Comunicação e o papel da televisão na sociedade brasileira.

Cremilda Medina - portuguesa de nascimento, a jornalista foi uma das pioneiras no curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e teve destaca atuação na mídia paulista - Jornal da Tarde, Tv Bandeirantes, Tv Cultura - e na vida acadêmica na Universidade de S.Paulo.

Lucia Santaella - uma das principais referências nacional e internacional sobre estudos da Semiótica, com atuação de estudos em Tecnologia e Cibercultura pela PUC-SP, foi articulista de artes e literatura do Jornal da Tarde. Suas pesquisas de semiótica integram as tendências em artes tecnológicas.

Maria Immaculata Vassallo de Lopes - acadêmica da USP nos anos 60, estuda a influência das comunicações populares na vida comunitária. Foi presidente da Intercom, de 1995- 1997.

Sonia Virginia Moreira - formada pela Universidade Gama Filho (RJ), atuou na Rádio Jornal do Brasil durante a ditadura. É pesquisadora de comunicação em rádio. Autora do livro - Rádio Nacional- o Brasil em sintonia.

Zélia Leal Adghirni - acadêmica da Universidade de Brasília (UNB), destaca-se pelo estudo do papel do jornalista no contexto do século XXI. Atuou na imprensa marroquina nos anos 80 e trabalhou nas sucursais dos jornais Zero Hora e O Estado de S.Paulo nos anos 90.

Valquírias Midiáticas

Organizadores - José Marques de Melo e Francisco de Assis
335 páginas
Preço: R$ 64,00
Editora Arte e Ciência

Isabella Encantadora


A cantora e compositora Isabella Taviani traz para Brasília o repertório do CD “Meu coração não quer viver batendo devagar”, lançado em 2009. Serão duas apresentações, nos dias 18 e 19 de junho, sexta e sábado, às 21h, no Teatro Oi Brasília, pelo Projeto “Encantadoras”. "É maravilhoso retornar a Brasília participando de um projeto que já trouxe tanta artista bacana a esta terra! Com um nome deste, o projeto tinha que ser um sucesso!", enfatiza Isabella.

Sobre Isabella Tavianni

Quem conhece Isabella Taviani entende bem o nome de seu novo álbum. A cantora e compositora de sucessos como “Digitais”, “Luxúria” e “Diga sim pra mim”, gosta de emoções fortes e agora se arrisca em parcerias com amigos. “Meu coração não quer viver batendo devagar” tem 14 faixas, sendo que 13 levam sua assinatura, como o primeiro single “Presente-passado”. A única música que não é de sua autoria ou coautoria é “Sob medida”, de Chico Buarque, gravada por ela especialmente para a novela “Caminho das Índias” e que entrou neste CD como faixa bônus.

Produzido por Rodrigo Campello e Jr Tostoi (MiniStereo), o álbum é a base do repertório deste show. Além dos sucessos anteriores e o novo single, estão garantidas as músicas “Eu não moro na sua vida” (Isabella Taviani e Dudu Falcão), “Argumentos da vida” (dela com Jorge Vercillo), “Arranjo” (dela com Zélia Duncan) e “Depois da chuva” (Isabella, Jorge e Zélia).

Projeto Encantadoras

Reunir cantoras consagradas e abrir espaço para novos talentos, que ocupa parte da programação do Teatro Oi Brasília no primeiro semestre. Iniciado em 2009, Encantadoras já trouxe a Brasília Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Maria Gadú, Paula Tesser, Bruna Caram, Ana Costa, Ana Ratto.

Serviço: Isabella Taviani. 18 e 19 de junho, no teatro Oi Brasília (SHTN Trecho 1, conjunto 1B, bloco C, no Hotel Alvorada Tulip ). R$40 (meia). Classificação: 14 anos.

A cultura da cachaça

Eu estava vendo umas fotos de uma amiga que viajou por Minas Gerais e encontrei uma imagem muito explicativa. Como estamos no Buteco Cultural, acho que esta sabedoria tem extrema relevância para nosso papo. Compartilhemos:




terça-feira, 15 de junho de 2010

A verdade sobre o divino


Depois de pouco mais de uma hora de apresentação ao lado da banda Pandemonium, Seguei, ícone do rock'n'roll desde os anos 60, mostrou à Brasília que é o seu estilo louco, mítico e despojado que o mantém como o Divino do Rock. Não era preciso estar suficiente bêbado, como eu, para entender isso. Serguei não canta como antes.

A apresentação aconteceu pouco depois das 1h da manhã, no dia 11 de junho, na nova casa de shows América Rock Club, em Taguatinga. Aos 76 anos, as mesmas roupas e os mesmos cabelos bagunçados, o divino se recusou a receber alguns fãs para fotos e autógrafos. Alguns comentavam com tristeza, outros nem notaram.

Custei um pouco para conseguir ouvir a voz de Serguei. Somente na terceira música ele mesmo notou que seu microfone estava praticamente desligado. Sua voz era frequentemente ofuscada por André Ribeiro, vocalista da banda Pandemonium. Apesar dos pesares, ele não parava no lugar. Corria de um lado pra outro e, tenho que confessar, seu jeito desengonçado é encantador.

A apresentação foi satisfatória. Todos queriam deixar o rock rolar. E ele rolou.

domingo, 13 de junho de 2010

Já ouvi, posso morrer III

Fazer uma lista dos 10 mais de nossa carga musical é uma tarefa árdua. Os hits de nossas vidas estão aqui, ali, acolá... Juntar os pedaços como um quebra-cabeça imenso. Desde que nosso querido Felipe iniciou a sessão, venho pensando nas possibilidades que geram outras e outras tantas. Minha lista não é da mais eclética. Na verdade, o ecletismo me causa uma certa urticária. Por isso, vamos falar do velho rock'n'roll.

10 The Police - Outlandos d'Amour (1978)

Este é o álbum de estréia da banda. E, como podemos perceber, Sting nasceu para ser rebelde. Sua vontade de polemizar o fez escrever Roxxane, a história de uma prostituta: "Roxanne, você não tem que se despir sob as luzes vermelhas". Apesar da polêmica, Outlandos d'Amour é um álbum animado acima de tudo. Vale a pena conferir.


9 Legião Urbana - Uma Outra Estação (1997)
Este álbum de tão triste virou póstumo. Foi lançado um ano depois da morte do líder da Legião Urbana, Renato Russo. De todos os amores que tive, Renato foi o mais intenso. Digo por ser amor de infância. De tanto amor fiz, muitas vezes, de suas dores as minhas. Uma Outra Estação mostra que, da voz cansada da morte, muitas dores podem se tornar poesias eternas.


8 Kiss - Kiss (1974)

Mais um álbum de estréia de banda. Nada me tira da cabeça que o bom é o inovador. O Kiss apareceu de cara pintada e salto alto. Gene é um grande líder, mas a melhor voz é, sem dúvidas, de Paul. E é dele também a autoria das melhores músicas desse álbum, como Firehouse e Black Diamond.


7 Megadeth - So Far, So Good... So What? (1987)

Dave Mustaine foi expulso, sem explicação, de uma curta temporada como guitarrista do Metallica. Surgiu então com sua nova banda: o Megadeth. Com um vocal extremamente particular, chegou firme pela disputa de um espaço nos anos de ouro do Thrash Metal. So Far, So Good... So What? é o terceiro e mais sonoro disco da banda. Conta com um cover dos Sex Pistols e uma bela homenagem para Cliff Burton (morto em 1986) com a canção In My Darkest Hour.

6 Iron Maiden - Poweslave (1984)

Steve Harris e Bruce Dickinson fizeram um trabalho marcante e excepcional para o Heavy Metal mundial. O baixista e o vocalista do Iron Maiden souberam bem como unir técnica a uma boa história. Tenho que fazer considerações especiais para duas músicas: Powerslave, que dá nome ao álbum; e Rimme of the Ancient Mariner. Ouvi ambas as canções ao vivo por duas vezes e ainda sinto arrepio só de lembrar.


5 Morbid Angel - Altars of Madness (1989)

Outro álbum de estréia na minha lista dos melhores. Agressividade, força e muita loucura. Poucos dias depois que nasci, o Morbid Angel lançava essa preciosidade do Death Metal. Sujo e blasfemo, do jeito que o estilo tem que ser. Ótimos riffs de guitarra e um vocal arrasador.



4 Pink Floyd - PULSE (1995)

A escolha desse álbum para a minha lista se dá por um único motivo: a impossibilidade de escolher o melhor álbum do Pink Floyd. Já que me meti num labirinto onde todas as entradas te levam para um paraíso, decidi que o PULSE merece essa posição. Se não há como decidir o melhor, ponha todos os bons em um só. O destaque fica com a encatadora voz de David Gilmour.


3 The Clash - London Calling (1979)

Falo de Punk, penso logo em London Calling. Nada dos anos 70 supera esse disco. A criatividade e a aposta na missigenação de estilos, dentro do rock'n'roll, deixou uma marca irreversível no meu coração. O London Calling é simplesmente o suprassumo do Punk Rock sem a mínima dúvida.

2 Misfits - Walk Among Us (1982)
Depois de descobrir que o bom Punk é aquele com influências reais, pude entender também que Punk perfeito é feito com horror. A bizarrice que cerca a banda Misfits define perfeitamente a quem a banda veio falar. Glenn Danzig apostou em uma nova proposta, agradeço por isso. Para Walk Among Us, só posso fizer uma frase: Mommy, can I go out and kill tonight?


1 Dio - Holy Diver (1983)
Obrigada, Dio.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Deixem Ela Entrar



Let the right one in
Let the old dreams die
Let the wrong ones go
They cannot
They cannot
They cannot do what you want them to do


Morrissey, Let The right One Slip In.

Apesar de ser muito medrosa com filmes de suspense/terror eu resolvi arriscar e assistir Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in) quando o vi na capa do Cineplayers. A sinopse não é uma das mais atraentes - histórias de amor com vampiros já foram exploradas demais – bom, isso era o que eu pensava.

O filme sueco - já começa por aí - não é qualquer romance adolescente, ele trata de assuntos sérios. O suspense conta à história de Eli, uma garota de 12 anos, branca, de cabelos longos e escuros, e vampira. A menina se muda para o prédio ao lado de Oskar, um menino da mesma idade, que sofre com constantes assédios - físicos e morais de seus colegas de escola.Eli e Oskar apesar de serem somente crianças, são personagens responsáveis pela parte mais humana da história.


Eli é representada como uma figura romântica, assim como a maioria dos vampiros, e também de forte personalidade. A garota ajuda Oskar a enfrentar seus medos e nunca esconde dele o que é de verdade. O menino que sofre com a exclusão na sua escola é frágil e demora para entender o que se passa com sua “namorada” mas cede e se entrega ao quu sente por ela.

Mesmo lidando com temas sérios, como a morte, vista de perto já que Eli precisa se alimentar e isso desencadeia em uma série de assassinatos na cidade, a obra consegue passar muito mais que tensão. Com um ritmo lento, mas nada cansativo, o filme é cheio de cenários únicos, sombrios e com cores frias, mas belos ao mesmo tempo, eles só perdem a sobriedade nas cenas mescladas de sangue - que ao surgir na tela se destaca de todo os outros elementos.

Deixa Ela Entrar é baseado no livro do John Ajvide Lindqvist, que também assina o roteiro. Uma curiosidade se deve ao nome do filme, que ganhou esse batismo graças a um dos trechos da música favorita do autor: Let The right One Slip In, de Morrissey, que diz: “Eu diria que você tem todo o direito de dar uma mordidinha na pessoa certa e dizer. O que fez com que você demorasse tanto?"

Muito mais do que uma história de amor adolescente, ou um filme clássico de vampiros, Deixa Ela Entrar é uma obra-prima que trata da solidão e do companherismo de maneira esplêndida. O amor e carinho que existe entre os dois garotos mostram que para enfrentar alguns desafios na vida é possível ter ajuda, e que não há nada errado nisso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Já ouvi, posso morrer II

Parece, mas não é uma tarefa fácil. Primeiro vem uma pré-lista, um pré-ranking. “Opa, faltou esse. Tira aquele.” Quase um mês depois, aí está mais uma lista de álbuns obrigatórios. Eclética? Sim. Bandas, duplas, grandes encontros que mudaram a história da música – mundial e brasileira.


10 Gotan Project – La Revancha Del Tango (2001)

Somente a mistura entre um francês, um argentino e um suíço seria capaz de dar origem a um trabalho inovador como esse. La Revancha Del Tango é a materialização do experimentalismo do trio cosmopolita que toca tango com arranjos eletrônicos. Disco irresistível para as horas vagas do dia.

9 The B-52s – Time Capsule (1998)

Sou contra coletâneas, mas esta não poderia faltar. Os B-52s existem desde 1976 e Time Capsule reúne o que a banda de visual psicodélico e futurista fez de melhor ao longo de todos esses anos. Além das clássicas Private Idaho e Love Shack, o disco tem músicas irreverentes com letras impagáveis como Strobe Light e Legal Tender.

8 Limp Bizkit – Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000)

Um adolescente compra um disco de músicas pesadas com o aviso “Contém Letras Explícitas” e pensa: “sou diferente de todos”. Com o passar dos anos, aquilo parece pouco em meio a toda a produção musical mundial. Mesmo assim, Chocolate Starfish fica na memória. Desde as melancólicas, como It’ll be Ok, às mais ácidas, como Livin’ it Up.

7 Nirvana – Nevermind (1991)

O grunge não seria a mesma coisa sem Nevermind. Todos sabem disso. E é por isso que o disco faz parte do TOP 10 de muita gente pelo mundo afora. Sem mais comentários e sem menosprezar as demais faixas, registro aqui as preferidas: Smells Like Teen Spirit (óbvio), In Bloom, Lithium e Polly.

6 Secos e Molhados – Secos e Molhados (1973)

É do Brasil ditatorial que surgiram os trabalhos mais fascinantes. Nesse cenário, o compositor João Ricardo juntou-se a Ney Matogrosso e Gerson Conrad. Pintaram os rostos, vestiram roupas extravagantes e decidiram rebolar para o país. Por detrás do gingado, a coragem de criticar o regime militar em músicas como Assim Assado e Primavera nos Dentes.

5 Franz Ferdinand – Franz Ferdinand (2004)

Alternativo, oitentista e geek. Assim pode ser definido o trabalho do Franz Ferdinand. A banda é formada por escoceses de Glasgow que, neste álbum, vão do indie ao pop. Destaque para: The Dark of the Matinee e This Fire. Vale lembrar que Take me Out já consta como uma das músicas mais populares da primeira década dos anos 2000.

4 Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede – Vagabundo (2004)

A arte de Ney encontra a criatividade de Pedro Luís e resulta em Vagabundo. Sofisticado, o disco é um culto à música brasileira de qualidade. Letras engajadas (Seres Tupy e O Mundo), faixas cômicas (Napoleão), versos poéticos (Noite Severina) e regravações históricas (A Ordem é Samba e Transpiração). Seleção imperdível e para todos os gostos.

3 Daft Punk – Discovery (2001)

Em tempos áureos das chamadas festas rave, não esqueçamos a verdadeira música eletrônica de artistas como Daft Punk. A dupla de franceses mascarados fez um trabalho de peso, que inclui ícones como One More Time, Digital Love e Harder, better, faster, stronger. As faixas de Discovery deram origem também ao longa Interstella 5555, baseado em animações japonesas.

2 Os Mutantes – Tecnicolor (1999)

No auge do sucesso, em 1970, Rita Lee e os Mutantes gravaram Tecnicolor, em Paris. O projeto saiu da gaveta somente em 1999, quando a gravadora Universal decidiu lançá-lo. Vieram à tona versões em inglês de músicas já conhecidas, como Panis et Circenses e Baby. Há espaço ainda para a balada progressiva I’m Sorry Baby, para as brasileiríssimas Adeus, Maria Fulô e She's My Shoo Shoo (A Minha Menina) e para a psicodélica Bat Macumba.

1 Green Day – Dookie (1994)

Quando lançaram Dookie, os californianos do Green Day eram a aposta do punk rock. Quem acreditou estava certo. As faixas deste álbum viraram verdadeiros hinos para adolescentes revoltados dos anos 90. Músicas sobre masturbação e falta do que fazer (Longview e Basket Case), dor de cotovelo (When I Come Around), entre outros assuntos e um bônus com All By Myself em uma versão amadora. Disco agressivo, marcante, inesperado e obrigatório.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Já ouvi, posso morrer

O post da vez é pra abrir a série 10 álbuns que já ouvi, posso morrer (rs)*, na qual TODOS os editores do buteco cultural deverão contribuir - na verdade, nem todos foram consultados e o nome dado a isso foi meu, mas acredito que vai variar em cada listinha.

Tudo começou num dia random dessa semana, quando eu, a Glaucia, o Lucas e a Vilhena estávamos conversando sobre nossos gostos musicais no horário (chuvoso) de almoço. Então tivemos a (nada original) idéia** de postarmos aqui listas comentadas dos álbuns que mais marcaram nossas vidas (snif).

Como os três ficaram com preguiça de iniciar a miséria, já que isso implicaria em também estabelecer um padrão para os posts, fui obrigado - sob a ameaça de ter cigarros apagados na minha cabeça - a ser o primeiro.

E COMO foi difícil apontar apenas 10 álbuns, gente! Foi difícil, foi injusto, mas foi bem legal.

A seguir, os discos mais importantes da minha vida (pelo menos até ontem, quando achei um tempinho pra elaborar o negócio):


10 John Coltrane - A Love Supreme (1965)

Talvez o trabalho mais cultuado do deus John Coltrane. E, certamente, não é para menos. São quatro faixas de uma das gravações mais importantes da história do jazz (leia-se: música). Acknowledgement, Resolution, Pursuance, Psalm. Pura elegância e magnificência.

9 Sigur Rós - Ágætis byrjun (1999)

De início, não precisei nem ao menos entender o significado das letras, porque o ambiente proporcionado por instrumentos e vozes já parece dizer tudo. Som atmosférico, etéreo, feito para elevar a alma. Um trabalho delicado, doce e confortante. Mágico, para resumir. Starálfur é um encanto.

8 Miles Davis - Seven Steps to Heaven (1963)

Eu poderia colocar o Kind of Blue aqui, mas o trabalho do Miles desta posição foi o que me fez realmente gostar do jazz nunca enfadonho e sempre criativo desse trompetista genial (e essencial). O instrumental de I Fall In Love Too Easily (cuja interpretação de Chet Baker é absurdamente linda e sentimental, uma das minhas coisas favoritas dentro do jazz), a faixa mais cool do disco, é divino.

7 Sylvia Telles, Lúcio Alves & Roberto Menescal - Bossa Session (1964)

Ouço sempre com um sorriso largo no rosto. O que vou dizer vai parecer ridículo, mas esse é o álbum mais alegre e divertido que os meus ouvidos já tiveram o prazer de apreciar. A must, mesmo para quem não gosta de bossa nova.

6 Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain (1994)

O álbum aqui colocado em sexto é um lo-fi impecável, embalado pela voz inconfundível de Stephen Malkmus (no meu ranking mental de melhores vozes masculinas de rock, só fica atrás de Jeff Buckley), e ainda um marco na cena indie dos anos 90. Aliás, um marco não, o marco, o melhor álbum indie da última década. Elevate Me Later e Gold Soundz não saem nunca mais da minha cabeça. Fillmore Jive, Newark Wilder e Range Life são composições primorosas.

5 Astrud Gilberto - The Astrud Gilberto Album (1964)

A minha iniciação na bossa nova se deu pela voz da Astrud Gilberto. Ela não teve (tem) o vigor de Elis Regina e Nara Leão, ou a delicadeza de Sylvinha Telles (e olha que a Astrud é sensível, viu...), mas é dona da voz feminina que mais me encanta. Nunca vou me esquecer da sensação maravilhosa que tive quando da primeira audição da faixa inicial, Once I Loved. Tive uma súbita certeza de que o restante do álbum seria de uma leveza, de uma singeleza que me marcariam para sempre.

4 Radiohead - Ok Computer (1997)

Foi aqui que eu conheci a minha banda favorita. À primeira audição, desconforto. Após umas dez, a constatação (clichê, quase todos os reviews já disseram, dizem e vão dizer isso, mas aí vai, em palavras minhas): um dos cinco, dez melhores álbuns de rock da história. Let Down, talvez, a canção da minha vida (arrepiei). E Climbing Up the Walls (meu tema stalker, hehe), a mais visceral, sinistra e belamente sombria que já ouvi. A inventividade do Radiohead aqui é algo magistral.

3 Bob Dylan - Blood on the Tracks (1975)

Talvez não seja, melodicamente falando, o melhor trabalho do Dylan. Mas é um vindo da alma de um dos maiores poetas musicais vivos. ALERTA: Simple Twist of Fate, Shelter from the Storm e You're Gonna Make Me Lonesome When You Go podem levar você às lágrimas. Apaixonante.

2 John Coltrane - Coltrane Live at Birdland (1964)

Basta dizer que Afro Blue, Alabama e I Want to Talk About You são as músicas instrumentais de jazz da minha vida, sem exageros. A última faixa citada é arrepiante. E vivo cantarolando loucamente trechos desse álbum por aí. Coltrane foi (é) o maior.

1 Radiohead - The Bends (1995)

Enérgico, melancólico, vibrante. O álbum que reúne tudo aquilo que o Radiohead tem de melhor, num equilíbrio lírico e musical que inexiste em qualquer outro trabalho da banda de rock mais importante dos últimos 20 anos. Amo cada faixa do disco, até mesmo (Nice Dream) e Sulk, underrated ao extremo.


*Quem quiser (noobs) fazer download (ilegal, claro) dos discos deve pedir via comentário.
**Só pra deixar registrado que eu NÃO aderi ao Acordo Ortotrágico.